30.12.12

Pergunta mais frequente da semana?

Janeiras em Dezembro


Ranchos folclóricos. Não tenho nada contra a sua patética existência, nem contra as pessoas que acham o máximo passar o tempo livre a rodopiar em círculos, entoando com voz de cana "ranchada" o canto de acasalamento da gralha-de-nuca-cinzenta, vestidos como extras do "The Miracle of Our Lady of Fatima".
Se não me incomodarem a mim, eu não os incomodo a eles.
Mas quando estou descontraído a desfrutar uma belíssima refeição no meu restaurante favorito e de repente surge um ataque surpresa e vejo-me cercado por um gang de gatos com cio a berrar esganiçadamente enquanto tentam extorquir uns trocos para parar com a tortura, eu só penso: será que estes tipos têm seguro contra um garfo espetado na testa? 


22.12.12

Xmas Shuffle Vol.6

Como manda a tradição, aqui vai o subsídio musical.
Não aconselhável a quem sofrer de TPN.



Ah, e feliz Natal!

Prenda: aqui.

14.12.12

Twigs - Breathe

Há aqui qualquer coisa que bate mesmo muito certo..... (e não me estou a referir ao martelo).








12.12.12

Kitty Power

Hilariante. Quem já assistiu a uma destas performances "especiais" da Cat Power que levante o braço.





11.12.12

Cold Pumas

"There´s joy in repetition", diria o Prince. Que é como quem diz: groove a groove enche a catarse o papo. Foi com este objectivo em mente que os Cold Pumas partiram para "Persistent Malaise", o recomendável álbum de estreia destes felinos de Brighton que ajuda a manter acesa a chama do revivalismo krautrock. Hipnótico o suficiente para iludir as maleitas mais persistentes.

Há uma edição de 500 cópias em vinil (180g), que os mais despachados poderão encomendar aqui.



farmácia de serviço

6.12.12

Merry Kishi



Kishi Bashi não é só um tipo com um nome patusco, é também o responsável por um dos álbuns mais divertidos do ano. "151A", é um disco cheio de pequenas sinfonias pop, doces e coloridas, assim como Cornelius faria se desatasse a brincar aos Animal Collective.
Ora segundo a sua editora - pretendendo iniciar uma tradição natalícia - podem agora adquirir, por preço a nomear (sim, pode ser $0), um inédito de K.B. alusivo à época que se avizinha. Uma pequena preciosidade em flexi-disc (mais o respectivo download), com o formato de um floco de neve e limitada a mil unidades. E no caso de decidirem soltar os cordões à bolsa (nem que seja $1), todo o dinheiro recebido será enviado para uma instituição de caridade. Todos ganham, portanto.
Basta ir aqui, antes que esgote...



Já agora, para o "151A":
farmácia de serviço

5.12.12

Vintage Rufus

Anda por aí uma nova edição do último opus do Rufus, contendo um bónus intitulado "WWIII".
Um castigo injusto para quem comprou a primeira edição, pois este é mesmo um dos melhores temas do disco. Sacana.

4.12.12

Primavera Club | Guimarães 2012

Dia 1 | 30-11-2012

Lemonade | CCVF | Pequeno Auditório

Em pouco mais de dois anos, a vaga chill-wave metralhou para a ribalta uma lista interminável de projectos, até implodir por saturação. Os sobreviventes deram um passo ao lado (ou atrás) e dedicam-se agora a alguma espécie de revivalismo alusivo às décadas de setenta e oitenta, com Toro & Moi, novamente, a iluminar o caminho. Os Lemonade parecem querer fazer o percurso inverso. Depois de um primeiro álbum pintado com as cores brilhantes dos LCD ou !!! têm vindo gradualmente a aveludar o seu som até chegarem a Diver, o seu melhor disco até à data, onde as sobras do chill-wave, se misturam com subtis referências a James Blake e Frank Ocean, criando um som atraente e convidativo. Infelizmente ao vivo a coisa não resulta plenamente. Fora do estúdio notam-se algumas fragilidades, quer na voz, quer nos arranjos empobrecidos que tentam compensar com um carácter efusivo mas sem munições para o efeito (ressalte-se porém que a escolha do recinto  não terá sido a mais acertada para a festa que se pedia).
O facto de visualmente parecerem uma banda neo-romântica caída de 1982 tem alguma piada - mesmo que involuntária - mas não chega...

Daughn Gibson | CCVF | Café Concerto

"All Hell", o álbum de estreia de Daughn Gibson,  editado no início do ano, com a sua meticulosa sonoridade lo-fi, baladas country sobre samples sombrios e uma portentosa voz de barítono a sublinhar tudo a traço grosso, tinha todos os ingredientes para não ganhar concursos de popularidade. Puro engano. Não só se revelou um dos discos mais viciantes do ano como, ao vivo, ganha uma dimensão extra, servido com aquele vozeirão do outro mundo e uma incrível presença em palco, tão imponente como os camiões TIR que o o rapaz costumava conduzir. Surpreendente, para um tipo com um laptop e duas máquinas de samples. Só pecou por ser tão curto, embora cheirinhos de um novo álbum a caminho deixem antever experiências ainda mais gratificantes num futuro próximo.

Sharon Van Etten | CCVF | Grande Auditório

Vim para este concerto com a excitação e a expectativa de um adolescente com cio prestes a saborear a primeira vez. Tudo o que tenho a dizer é que não saí desiludido. Melhor momento do festival, com o bónus inesperado de ter a fantástica Heather Woods Broderick no lugar de co-piloto. Palavras para quê, é ver e babar.

Destroyer | São Mamede

A par dos Wilco, os Destroyer são actualmente uma das melhores bandas para ver ao vivo e toda a gente deveria assistir a um concerto seu pelo menos uma vez na vida. De preferência já, enquanto os efeitos de Kaputt ainda se fazem sentir e a banda está num absoluto estado de graça, tocando com uma fluidez e um entrosamento impressionantes. Devido à maldita sobreposição de concertos só apanhei o final, mas o deleite com que assisti ao concerto de Vigo, no verão passado, repetiu-se totalmente nesses escassos vinte minutos.

Ariel Pink | São Mamede

Com Ariel Pink, assistir a um concerto consistente do princípio ao fim, é cada vez mais um golpe de sorte. Como tentar sintonizar uma rádio decente na auto-estrada ou esperar que a torrada caia sempre com a manteiga para cima. Começo a duvidar que o momento absolutamente perfeito que teve lugar no Plano B em 2010 (lembrem-me para o pôr aqui um dia destes) vá ter réplica à altura. A mistura entre a lucidez melódica,  a roçar a epifania e o experimentalismo errático e a fazer festinhas à indulgência, vai ser sempre o trunfo maior, que faz de Ariel Marcus Rosenberg um dos mais imprevisíveis e interessantes personagens do panorama musical actual. Mas é também o seu calcanhar de Aquiles, um equilíbrio difícil de manter ao vivo durante uma hora inteira, umas vezes conseguido, outras nem por isso. O que não impede que se tente sempre.  Afinal, qualquer oportunidade para ouvir uma versão inesperada de "Round and Round" é sempre bem vinda.

Dia 3 | 02-12-2012

Gorada que estava a possibilidade, por motivos logísticos, de ir ao segundo dia do festival, não resisti ao convite da Campaínha Eléctrica para assistir aos dois últimos concertos, após a jantarada da praxe.

Cats On Fire | São Mamede


Os finlandeses Cats On Fire são uma banda simpática, que pratica um indie-pop agradável com um travo a Aztec Camera e a Smiths. Têm umas músiquinhas giras, bem tocadas e com tendência a condensarem-se  numa névoa indistinta que não deixa grande marca. Têm em Mattias Björkas (amante das "bejecas" Sagres) um líder com o carisma do Brett Anderson e um sentido de humor tipicamente nórdico. Sabe cativar a assistência com piropos bairristas e tem manha suficiente para finalizar o concerto com "A Few Empty Waves". Para além de ser a canção mais up-beat do último álbum (fazendo lembrar um pouco o Jens Lekman),  tem tudo para agradar ao público luso, com a sua alusão constante ao "portuguese water dog".  Distraem sem chatear e sem registar. O que me fez ir até casa a matutar se esta seria a primeira ou a segunda vez que os via ao vivo...

The Vaccines | São Mamede

Fica-se vacinado contra os Vaccines logo ao primeiro álbum dos londrinos, embora seja de reconhecer (a custo) que no segundo (e num dos EPs que o acompanham), até há dois ou três temas interessantes. Pelo menos o suficiente para não me fazerem rodar a cabeça 360 graus e vomitar Tantum Verde. O resto é mais do mesmo, pastiche atrás de pastiche, pilhagem atrás de pilhagem. Normalmente, grupos com o carimbo "next big thing" do NME não passam a fronteira do "sabor do mês". Este é  um caso à parte, um produto muito bem trabalhado pela editora e pelo manager seguindo o manual da indústria discográfica para a criação de estrelas rock pseudo-indie. Vê-los ao vivo, confirma-o penosamente. A sucessão de tiques e clichés de uma banda de estádio em formato embrionário deixa um sabor enjoativo a fenómeno fabricado, não conseguindo sacudir a impressão de estar a assistir aos Green Day a tentar imitar uns Strokes menos inspirados. Estarão a encher pavilhões não tarda nada. 

P.S. Já agora, uma achega: usar clássicos dos Stones e do Neil Young como música ambiente, antes e depois de um concerto desta estirpe, não sugestiona positivamente. Só serve para evocar a imagem de uma gigantesca sandes de bosta. 

3.12.12

Devendra de Mala aviada

Para alguém tão prolífico como Devendra, três anos sem editar é muito tempo. O que para die-hard fãs como eu, habituados à dose habitual, dá uma ressaca monumental. Mas antes que os Flaming Lips se lembrassem de gravar um "Is Devendra Banhart Dying?", eis que (via Pitchfork) chega a boa nova natalícia: o ex-senhor Portman vai lançar - se bem que só lá para a Primavera - um disco novo intitulado Mala. Desta feita, evitando o erro de percurso que foi editar por uma major (a Warner), que quase o apagou do mapa. O disco leva agora o selo da Nonsuch, com produção, mais uma vez, do compincha Noah Georgeson. Esperemos é que os ares de Nova York, onde agora reside, não lhe tenham dado a volta ao miolo.

Teaser de serviço: