A pop sueca continua a catapultar talentos a uma velocidade impressionante. O mais recente chama-se The State of Samuel, tem já um curto currículo editorial, mas é com o novo "Here Come The Floods" que está a ganhar alguma visibilidade. Como vem sendo hábito para aqueles lados, contém canções bem estruturadas e amplamente trauteáveis, neste caso devedoras da herança deixada pelos "jinglejanglin" The Byrds. Bastante recomendável.
The Residents of Gloom Always Under The Gun Here Come The Floods Square Roots
Este quinteto do UK é apontado como a "next big thing". Perfeccionistas e autocríticos q.b., os Foals não alucinaram com o sucesso obtido nas apresentações ao vivo ao ponto de quererem vender o peixe do dia anterior - levam as coisas com calma e apenas editam músicas que se lhes afigurem como magistrais (talvez aqui resida a explicação de terem gravado apenas 6 temas em 2 anos...). Os "anti-pop pop" Foals apresentam novo single a 10 de Dezembro, um estouro chamado "Balloons". O 7" e o cd incluem novos lados B - "Brazil Is Here!" e "Dearth". Por sua vez, o vinil de 12", de edição limitada a 2000 cópias, apresenta uma versão de "Balloons" produzida por Kieran Hebden dos Four Tet. É encomendar antes que esgote. *
Interpol Esperava-se algo mais dos Interpol na sua segunda passagem por terras lusas em menos de quatro meses. No fim de contas, estavam criadas todas as condições para isso - casa cheia e uma multidão manifestamente em pulgas para ver o tão esperado concerto em nome próprio. Os nova-iorquinos, mais uma vez, deixaram que fosse a música a falar mais alto, num propositado balanço entre retenção emocional e a interpretação de temas geniais, de forma incisiva e sem grandes desvios em relação às gravações de estúdio – toda e qualquer expansividade foi eliminada, à excepção do constante troca-passo de David Kessler. Pronto, toda a gente sabe que a pose reservada é já uma imagem de marca dos Interpol, que a energia colectiva da banda se circunscreve à exímia execução instrumental dos seus membros - é impossível negar o virtuosismo de Sam Fogarino na bateria, o pulsar insinuante do baixo de Carlos D., as guitarras em meticulosa sintonia de Kessler e Banks, tudo encaixa na perfeição – mas, não conseguimos evitar pensar que, se atitude em palco não fosse “quase fria de tão cool”, estas músicas que roçam a perfeição, poderiam ganhar vida nova para lá do espartilho dos discos. O alinhamento não deixou ninguém descontente, os três álbuns da banda foram interpolados em partes iguais perante um público audivelmente conhecedor de toda a discografia, e que pareceu escolher como pontos altos os temas mais antigos como "Evil", "Slow Hands", "C'mere" (yes!), " Obstacle 1" e, claro, “Stella Was A Diver…”, embora se tenha confirmado plenamente, que o novo “Our Love To Admire” contém temas dignos de figurar entre os clássicos da banda – “No I In Threesome” e “Rest My Chemistry” são bons exemplos disso. Foi uma espécie de concerto tântrico, repleto de bons momentos, mas o climax, esse parece que fica para a próxima...
"Narc"
"No I In Threesome"
"Not Even Jail"
"Slow Hands"
"Heinrich Maneuver"
Blonde Redhead Grande expectativa em relação aos irmãos Pace e à voz luxuriante de Kazu Makimo ao vivo. Donos de um dos melhores discos do ano, "23", que revelou um visível amadurecimento e segurança musicais em relação a "Misery Is A Butterfly" de 2004, os Blonde Redhead causaram óptima impressão num público “emprestado”, que foi generoso no apreço que raramente demonstra às bandas suporte. Os apelativos temas, repletos de momentos melancólicos sabiamente entrecortados por uma guitarra e bateria com tudo no sítio, não tiveram o merecido destaque nesta curta apresentação ao vivo. A rever urgentemente.
Quando a meio do concerto, Rufus Wainwright dispara uma das suas habituais tiradas, recordando uma noite de embriaguês em palco, na qual lhe ocorreu que poderia muito bem ser ele (porque não?) o novo Mozart, deve ter deixado algumas pessoas a matutar no assunto. A coisa - exageros à parte - até tem algumas pontas por onde se lhe pegue: a irreverência, a extravagante jovialidade, a originalidade e genialidade (salvaguardando as devidas proporções), são características comuns a ambos. A grande diferença, é que Rufus ainda respira, pode ser apreciado ao vivo e está no seu auge, conforme se pôde comprovar nas suas cinco visitas ao nosso país e nos cinco magníficos álbuns editados até à data. Todos os concertos foram, no mínimo, avassaladores. E quase todos deixaram a pairar a sensação de que o colorido canadiano, tinha ali atingido o pico, o Everest das performances ao vivo. Os sortudos que tenham presenciado qualquer um dos espectáculos, podem afirmar-se como orgulhosos proprietários de uma experiência única e inesquecível - se alguém sabe construir e "dar" um espectáculo que ultrapassa, em muito, a mera interpretação de canções ao vivo, esse alguém é Rufus. O portentoso talento enquanto letrista, compositor e performer, mais uma vez, voltou a surpreender e deu (senão o melhor), pelo menos um dos melhores concertos do ano. Apresentando-se em palco vestido para impressionar, com um glamoroso fato às riscas que parecia saído de um musical de Gene Kelly em versão (ainda mais) gay, e com uma encenação a condizer - as estrelas foram definitivamente libertadas, a começar pelas da enorme bandeira americana que servia de cenário (farto dos US é dizer pouco...), para serem substituídas por réplicas dos mais comuns alfinetes de peito, aka broches, a fazer pendant com os que adornavam os fatos da banda - exímios músicos, nos quais se incluía o aniversariante Matt Johnson, ex baterista de Jeff Buckley, que há muito acompanha Rufus nestas andanças. O concerto que incidiu principalmente no novo "Release the Stars", tocado quase na íntegra e com arranjos menos over the top, acabou inevitavelmente por percorrer todos os álbuns anteriores ("Art Teacher" foi de uma intensidade fulminante) , incluindo ainda alguns clássicos americanos popularizados por Judy Garland, que fizeram parte do tributo que o músico fez ao mítico show da actriz no Carneggie Hall - "A Foggy Day" e "If Love Were All" afiguraram-se predestinadas à performance Wainwright. Um não muito breve interlúdio (as estrelas têm destas coisas), serviu para um regresso em look tirolês (lederhosen e meias até ao joelho), com a passagem prometida por "Between My Legs" e a colaboração da sua elogiadíssima prof. de yoga (à falta de voluntários que atacassem as spoken words). O público, desde o início absolutamente rendido, teve ainda oportunidade de confirmar todo o poder e potência vocais de Rufus sem microfone, no tema "Macushla" de raízes irlandesas e inspirado na interpretação do tenor John McCormack - impressionante, no mínimo. O encore, servido em roupão, começou com "I Don‘t Know What It Is" (absolutamente apoteótico), seguindo-se uma chamada ao palco da Mommy, a folk lady Kate MacGarrigle, que o acompanhou ao piano numa rara interpretação de "Barcelona" e em "Somewhere over the Rainbow" com gostinho de regresso à infância (por instantes pareceu-nos ter invadido a sala de estar dos Wainwright). Seguiu-se nova viagem à Judy (Gar)Land: Rufus, sentado no centro do palco, pôs os brincos, o baton vermelho, calçou os sapatos de salto alto e o roupão deu lugar a um casaco de smoking, chapéu de côco e collants pretos a revelar um belo par de pernas. A banda juntou-se à festa, numa desconcertante tentativa de recriar a coreografia original do tema "Get Happy" do musical "Summer Stock". O resultado? Só caras felizes a despedir-se do "Gay Messiah", pontuadas com algumas espressões de incredibilidade e uma manisfesta vontade de rever tudo de novo. Now, that‘s entertainment!
The Marzipan Man, é o fantasioso alter ego sob o qual o guitarrista dos Satellites, o espanhol Jordi Herrera, gravou o seu primeiro álbum a solo para a editora Primeros Pasitos. O disco foi inteiramente tocado, produzido e misturado pelo próprio no estúdio do produtor dos Strokes, em Londres (onde o músico actualmente vive), e contém meia dúzia de canções pop bem buriladas - que dariam um excelente EP - à qual se segue outra meia dúzia, mais ambiental e exprimentalista, mas também menos inspirada. O álbum exala aquele charme muito próprio de uma obra algo artesanal e inocente, que lhe confere uma doçura cativante, reforçada pela temática fabulística das canções.
Take This Wind As An Advice Sometimes Merry Prayer Buddy The Cat Download zip
Jordi esteve no domingo passado na Jo Jo‘s para um divertido showcase, juntamente com Damon & Naomi, antes de seguirem para o concerto no Mercedes (o qual, contrariamente à prestação da tarde, acabou por se revelar um tanto ou quanto entediante).
O novo dos Grizzly Bear, não sendo propriamente um disco de originais, é um disco original. O EP de onze temas, agrupa reinterpretações (por vezes bastante radicais) de músicas incluídas em "Yellow House" e "Horn of Plenty", algumas coisas novas, versões, e participações especiais dos amigos mais chegados, como os Band of Horses, Beirut, Atlas Sound ou as CSS. Uma data de pontas soltas que acabam por constituir um trabalho bastante coeso e apetecível. Quem disse que restos não são um bom alimento?
Alligator (Choir Version) Knife (covered by CSS) Knife (covered by Atlas Sound) Deep Blue Sea (Daniel Rossen home recording)
Ed Harcourt é um nome indispensável em qualquer colecção de discos que se preze. Se por acaso ainda houver alguém que não lhe tenha prestado a devida atenção, esta é a oportunidade ideal para remediar o caso, e entrar pela porta grande no universo de um dos melhores cantautores da actualidade. É que sai este mês um CD duplo, que reúne o melhor (tarefa difícil, com resultados discutíveis) dos seus cinco álbums de estúdio até à data, mais dois temas nunca editados, um dos quais ("You Put A Spell On Me") acaba de sair em single (7") com tema extra ("Sunday") no lado B. Aqui fica uma amostra (e como bónus, a versão de "Atlantic City" que saiu numa Uncut com covers de Springsteen):
All Your Days Will Be Blessed Born In The 70's Visit From The Dead Dog You Put A Spell On Me Atlantic City
Os Radiohead colocaram ontem esta posta no seu blog:
" helo... there will be something on the box tonight, its another test but right now we are entangled in cables however, weather permitting our technical experts will resolve the entanglement, it will be broadcast as a quicktime h.264 stream. If youve got a mac you'll already probably have quicktime player, if youve got a pc and it doesnt work, you might need to download the installer (click here to download and install) then click on to www2.radiohead.tv. If you would like to view the webcast in the luxury of your own media player (such as VLC, quicktime or realplayer), then copy and paste this address: rtsp://89.167.182.32:80/entanglement2.sdp".
Stanley
Já estou farta de clicar mas não se passa nada... só um boneco armado em Dj. Andem lá com a cena que já está a ficar tardito!
Update @ 5 AM - Finalmente! Já está a dar e é imperdível, garanto-vos.